Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

video

God only knows what I´d be without you
God only knows what I´d be without you
God only knows
God only knows what I´d be without you
God only knows what I´d be without you
God only knows
God only knows what I´d be without you
God only knows what I´d be without you
God only knows
God only knows what I´d be without you
God only knows what I´d be without you
God only knows

God only knows what I´d be without you

Ações




O amor em alta
O amor em baixa
O amor é tão indeciso que passa

O amor na rua
O amor na praça
O amor é uma grande piada

O amor inventa
O amor se acha
O amor não sustenta uma palavra

Ela está poética
Ele todo prosa
Se os dois se cruzam
Ninguém atura
Será amor
Ou literatura?

O amor comédia
O amor drama
O amor se esparrama pela cama

O amor se olha
O amor se beija
O amor tem a boca de cereja

O amor se abraça
O amor se encaixa
O amor, procurando, não se acha

Ela está querendo
Ele muito mais
Se os dois se cruzam
Deus nos acuda!
Será amor
Ou é só fissura?

O amor se humilha
O amor dá vexame
O amor das abelhas é um enxame

O amor é sujo
O amor é limpo
O amor combina com cada instinto

O amor se perde
O amor se esvai
O amor é tão lindo que dói

O amor sossega
O amor se esquece
O amor, de repente, aparece

Ela está feliz
Ele está contente
Se os dois se cruzam
Quanta amargura
Começam a amar
E lá vem loucura

O amor é simples
O amor é complexo
O amor fica bem com mais sexo

O amor é frio
O amor é chama
O amor só é bom pra quem ama

O amor é ferro
O amor é brasa
O amor que é amor nem se casa

Domingo, 19 de Julho de 2009

And the colored girls go doo do doo do doo do do doo, ...


Arturo Bandini

c a p í t u l o vintee2

Achei um quarto em Temple Street, em cima de um restaurante filipino. Era dois dólares por semana, sem toalhas, lençóis ou fronhas. Peguei o quarto, sentei na cama e matutei sobre minha vida neste mundo. Por que eu estava aqui? E agora? Quem eu conhecia? nem a mim mesmo. Olhei para minhas mãos. Eram mãos delicadas de escritor, as mãos de um escritor caipira, inadequadas para trabalho pesado, incapazes de fazer frases. O que eu podia fazer? Olhei em volta do quarto, as paredes manchadas de vinho, o chão sem tapete, a janela com vista para Figueroa Street. Senti o cheiro da comida do restaurante filipino lá de baixo. Era este o fim de Arturo Bandini? Seria este o lugar onde eu morreria, neste colchão cinzento? Eu poderia jazer aqui por semanas antes que alguém me achasse. Fiquei de joelhos e rezei:
- O que eu fiz pra você, Senhor? Por que você me pune? Tudo que peço é a chance de escrever, de ter alguns amigos, de parar de correr. Dê-me paz, oh, Senhor. Conduza-me a algo que valha a pena. Faça a máquina de escrever cantar. Encontre a canção dentro de mim. Seja bom para mim, porque estou solitário.
Aquilo pareceu me inspirar. Fui até a máquina de escrever e sentei. Uma parede cinzenta se ergueu. Empurrei minha cadeira para trás e fui para a rua. Entrei no meu carro e dei uma volta.
Eu tenho problemas para dormir no quartinho, embora tivesse comprado lençóis e cobertores. O problema era a miséria do dia, a infecundidade do trabalho permanecia no quarto durante a noite. De manhã ela ainda estava lá, e eu ia para a rua de novo. Então eu lembrava de um dos axiomas de Edgington: "Quando se está emperrado, pé na estrada".

(FANTE, John. Sonhos de Bunker Hill. Porto Alegre.LP&M, 2003)

Sábado, 18 de Julho de 2009

Les Fleurs de Moi





TRISTESSES DE LA LUNE

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu´une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d´une main discrète et légère caresse
Avant de s´endormir le contour de ses seins,

Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l´azul comme des floraisons.

Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poëte pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cett e larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d´opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil

TRISTEZA DA ALUNA

Sensual, a aluna revê uma penca de parentes
Assim que uma beata, sobre os ombros, tossir
É que de uma mão discreta e ligeira carece,
Avança sem domínio o contorno de seus seios

Supradons de satã amolecem avalanches
Murmurando, livra-se de suas longas pantalonas
E por menos saias surgem visões brancas
Que momento! Dão-se assim, como deflorações

Quanto ao perfume do lóbulo, a língua sorve
Ela enlaça num filete um alarma furtivo
Um poeta pior, inimigo de seu meio

Dando-se a crer que sua mão prende este pálido alarma
Aos reflexos irisados como fragmentos de opala
Ela mete-se a dançar como arlequim do Soleil

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Lá no Luiz

Hoje, lá no blog do Luiz Felipe Leprevost.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Despereaux

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Stradivari




Ao morrer, Antonio Stradivari deixou seu negócio para seus dois filhos, Omobono e Francesco, que nunca se casaram e passaram toda a vida adulta na casa do pai, como seus empregados e herdeiros. Continuaram por vários anos capitalizando seu nome, mas o negócio acabou soçobrando. Ele não lhes ensinara, não teria podido ensinar-lhes como se tornarem gênio. (Os instrumentos por eles construídos que pude ter nas mãos e tocar são excelentes, mas apenas isto.)
Temos aqui, então, o breve resumo da morte de uma oficina. Há quase três séculos os luthiers tentam ressuscitar esse cadáver para recuperar os segredos que Stradivari e Guarneri del Gesù levaram para o túmulo. Essa investigação sobre a originalidade teve início ainda em vida dos filhos de Stradivari. Os imitadores de Guarneri del Gesù começaram a trabalhar cerca de oitenta anos depois de sua morte, inspirados pela falsa história de que teria confeccionado seus melhores violinos na prisão. Hoje, as análises do trabalho desses mestres seguem três direções: cópias fisicamente exatas da forma dos instrumentos; análises químicas do verniz; e uma vertente fazendo o percurso inverso da lógica da sonoridade (partindo-se do princípio de que seria possível imitá-la em instrumentos que não tenham a exata aparência de um Strad ou de um Guarneri). Ainda assim, como observou o violinista Arnold Steinhardt, do Quarteto Guarneri, um músico profissional é capaz de distinguir quase instataneamente entre um original e uma cópia.
Falta nessas análises uma reconstrução das oficinas do mestre - mais exatamente, é um elemento que se perdeu irrecuperavelmente. Trata-se da absorção no conhecimento tácito, não dito nem codificado em palavras, que ocorreu nesses locais e se trasnformou em hábito, através dos milhares de gestos quotidianos que acabam configurando uma prática. O fato mais importante que sabemos a respeito da oficina de Stradivari é que ele estava presente o tempo todo, aparecendo inesperadamente em toda parte, reunindo e processando os milhares de elementos de informação que não podiam ter o mesmo significado para assistentes empenhados apenas na consecução de determinada parte. O mesmo se aplica aos laboratórios científicos dirigidos por gênios idiossincráticos; a cabeça do mestre fica cheia de informações cujo significado só ele pode alcançar. Por isso é que os segredos do físico Enrico Fermi, como grande experimentador, não podem ser compreendidos pelo exame dos detalhes de seus procedimentos laboratoriais.
Para transpor esta observação para o plano abstrato: numa oficina dominada pela individualidade e a peculiaridade do mestre, também é provável que domine o conhecimento tácito. Após sua morte, os passos, soluções e percepções por ele somados à totalidade do trabalho não podem ser recuperados; não há como pedir-lhe que tone explícito o tácito.
Teoricamente, a oficina bem gerida deve equilibrar conhecimento tácito e explícito. Os mestres devem ser insistentemente induzidos a se explicar, para expressarem o conjunto de passos e soluções que absorveram em silêncio - se pelo menos forem capazes de fazê-lo e o quiserem. Boa parte de sua autoridade deriva do fato de enxergarem o que os outros não enxergam, sabendo o que não sabem; sua autoridade torna-se manifesta em seu silêncio. Será então que estaríamos dispostos a sacrificar a qualidade dos cellos e violinos Stradivari em nome de uma oficina mais democrática?


(SENNETT, Richard. O artífice. São Paulo. Record, 2008, pp. 92 - 93)

A propósito de livros de poemas, acho que cada poema deveria vir em um livro, para que ficássemos lendo sempre o mesmo poema dentro daquele livro e pensando por muito tempo neste único poema - como uma peça exclusivíssima. Como um Stradivarius.



:P

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

No terraço, hoje à tarde

- Meus olhos estão gastos
- Os óculos, a senhora quer dizer.
- Meus olhos.
- Gastos?
- É. Gastos.
- De tanto ver? Como as pupilas fatigadas?
- De ver pouco e sempre o mesmo. É assim que se gastam os olhos.
- Mas o desejo de ver mais não é inesgotável? Não pensa assim?
- Os olhos se gastam antes do desejo. O desejo faz gastarem-se os olhos. É precipitado. Como uma pintura falsa.
- Toda pintura é falsa. Quer dizer, o que não é natureza... Ai, não sei mais. Me confundo. Mas talvez entenda.
- O desejo desenha traços e joga tintas, volumes, texturas. O desejo é ansioso e tétrico. Os olhos buscam ansiosos e tétricos o que o desejo quer ver e nada enxergam. Pois nada se revela novo. Somente o que já foi esboçado. Não quero mais ver desse modo. Recuso-me. E se então surgir o desejo depois do que os olhos virem não será uma pintura falsa.
- Os olhos não sabem ver sem interesse. E eles mesmos produzem interesse ao ver. Não sei qual a melhor idade para sentir. Talvez eu esteja perdendo tempo. Não sei. Transito por lugares feios que ainda se deixam enfeitar de beleza. Mas é muito sutil.
- Beleza é forma e manifestação. Quando os olhos se gastam, houve só forma e manifestação vazia.
- Tenho medo das palavras que me fazem ver. Talvez por isso minhas palavras é que estejam gastas.
- Para não temer as palavras procure compreender os olhos e os ouvidos que as tocam. Observe. Forma e manifestação.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Me lembrou Carlitos



A madrugada avança beco adentro
Escuros e úmidos rumos
Nenhum retorno
Ônibus via-crucis, ponto final
A esmo e todo trôpego, o bêbado
Enfada-se dele mesmo
Se um clown tanto ensaiasse não faria
Aquele andar cambalaio
A agonia amarga e recorrente
Boiando entre os escombros das gentes
Contornos de rostos tornando-se mero esboço
Rastros de luzes. Imagens desbotadas
Iscks de isqueiros no mais fundo dos bueiros
Sem pagar ingresso no guichê
O bêbado vê o verdadeiro espetáculo
Romantismo tísico das calçadas
Frio beijando escaras
A lua a noite as pedras falsas
Ao fim de toda etílica empreitada...

fila n.o 4

- Olá! Tudo bem com você?
- ...
- Você deve preencher esse questionário aqui, por favor.
- Questionário? Como assim, q u e s t i o n á r i o?
- É só um procedimento da clínica. Nada demais.
- Procedimento? Como assim, p r o c e d i m e n t o?
- Olha, a doutora vai passar direitinho essas questões todas pra você. É uma espécie de histórico pessoal. O retrato que o paciente tem dele próprio.
- Histórico pessoal? Não entendi...
- É. Como você se pensa. Mas não precisa aprofundar muito. São questões simbólicas.
- Se não preciso me aprofundar, por que tenho que preenchê-lo? Não estou entendendo... Simbólicas, você quer dizer, tipo Jung?
- Mais ou menos. Tem figuras. Veja! É quase um livro.
- Não gosto de livros com figuras... Escuta, vai demorar muito pra eu ser atendida? Estou ficando um pouco sufocada aqui. E ainda tem esse questionário. Você pode dizer pra doutora que eu fui embora. Eu vou embora, tá bom?! Você pode dizer? Não vou responder merda nenhuma de questionário. Essa palavra, só essa palavra "questionário" já me dá nos nervos. Que porcaria de clínica é essa?
- Ei, está tudo bem. Não se preocupa. Não precisa responder, então. Olha só. Vamos rasgar esse questionário agora. Você quer rasgar?
- Por que eu rasgaria o meu retrato pessoal? Isso não faz sentido. Por que eu me rasgaria. Rasgaria meu histórico. Você disse antes que era como se fosse meu histórico pessoal.
- Sim, mas você não o preencheu. Está aqui intacto. Veja... Tudo bem, então não precisamos rasgar.
- Se está intacto deixa de ser um retrato pessoal? Alguém que nunca fez nada na vida não existe? É isso que você quer dizer? Eu vou embora. Não quero ouvir mais uma palavras. Chega!
- Tem chá. Aliás, tem um chá bem especial aqui. Vou fazer um chá pra você. Você gosta de chá?
- Especial? Como assim e s p e c i a l? O que você quis dizer com "especial"?
- ...

mis arreos son las armas, / mi descanso el pelear ....

PRÓLOGO

Desocupado lector: sin juramento me podrás creer que quisiera que este libro, como hijo del entendimiento, fuera el más hermoso, el más gallardo y más discreto que pudiera imaginarse. Pero no he podido yo contravenir al orden de naturaleza; que en ella cada cosa engendra su semejante. Y así, ?qué podrá engendrar el estéril y mal cultivado ingenio mío sino la historia de un hijo seco, avellanado, antojadizo y lleno de pensamientos varios y nunca imaginados de otro alguno, bien como quien se engendró en una cárcel, donde toda incomodidad tiene su asiento y donde todo triste ruido hace su habitación: El sosiego, el lugar apacible, la amenidad de los campos, la serenidad de los cielos, el murmurar de las fuentes, la quietud del espíritu son grande parte para que las musas más estériles se muestren fecundas y ofrezcan partos al mundo que le colmen de maravilla y de contento. Acontece tener un padre un fijo feo y sin gracia alguna, y el amor que le tiene le pone una venda en los ojos para que no vea sus faltas, antes las juzga por discreciones y lindezas y las cuenta a sus amigos por grandezas y donaires. Pero yo, que, aunque parezco padre, soy padrastro de don Quijote, no quiero irme con la corriente del uso, ni suplicarte casi con las lágrimas en los ojos, como otros hacen, lector carísimo, que perdones o disimules las faltas que en este mi hijo vieres, y ni eres su pariente ni su amigo, y tienes tu alma en tu cuerpo y tu libre albedrío como el más pintado, y estás en tu casa, donde eres señor della, como el rey de sus alcabalas, y sabes lo que comúnmente se dice, que debajo de mi manto, al rey mato. Todo lo cual te esenta y hace libre de todo respecto y obligación, y así, puedes decir de la historia todo aquello que te pareciere, sin temor que te calunien por el mal ni te premien por el bien que dijeres della. (...)

PRIMERA PARTE DEL INGENIOSO HIDALGO DON QUIJOTE DE LA MANCHA
CAPÍTULO PRIMERO

QUE TRATA DE LA CONDICIÓN Y EJERCICIO DEL FAMOSO HIDALGO DON QUIJOTE DE LA MANCHA



En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme, no ha mucho tiempo que vivia un hidalgo de los de laza en astillero, adarga antigua, rocín flaco y galbo corredor. Una olla de algo más vaca que carnero, salpicón las más noches, duelos y quebrantos los sábados, lantejas los viernes, algún palomino de añadidura los domingos, consumían las tres partes de su hacienda. El resto della concluían sayo de velarte, calzas de velludo para las fiestas, con sus pantuflos de lo mesmo, y los días de entresemana se honraba con su vellorí de los más fino. Tenía en su casa una ama que pasaba de los cuarenta, y una sobrinha que no llegaba a los veinte, y un mozo de campo y plaza, que así ensillaba el rocín como tomaba la podadera. Frisaba la edad de nuestro hidalgo con los cincuenta años; era de conplexión recia, seco de carnes, enjuto de rostro, gran madrugador y amigo de la caza. Quieren decir que tenía el sobrenombre de Quijada, o Quesada, que en esto hay alguna diferencia en los autores que deste caso escriben; aunque por conjeturas verosímiles se deja entender que se llamaba Quejana. Pero esto importa poco a nuestro cuento; basta que en la narración dél no se salga un punto de la verdad.
Es, pues, de saber, que esto sobredicho hidalgo, los ratos que estaba cioso - que eran los más del año - , se daba a leer libros de caballerías con tanta afición y gusto, que ouvidó casi de todo punto el ejercicio de la caza, y aun la administración de su hacienda; y llegó a tanto su curiosidad y desatino en esto, que vendió muchas hanegas de tierra de sembradura para comprar libros de caballerias en que leer, y así, llevó a su casa todos cuantos pudo haber dellos; y de todos, ningunos le parecían tan bien como los que compuso el famoso Feliciano de Silva, porque la claridad de su prosa y aquellas entricadas razones suyas le parecían de perlas, y más cuando llegaba a leer aquellos requiebros y cartas de desafíos, donde en muchas partes hallaba escrito: La razón de la sinrazón quea mi razón se hace, de tal manera mi razón enflaquece, que con razón me quejo de la vuestra fermosura. Y también cuado leía: ... los altos cielos que de vuestra divinidad divinamente con las estrellas os fortifican, y os hacen merecedora del merecimiento que merece la vuestra grandeza. (...)

[CERVANTES, Miguel de. Don Quijote de la Mancha. PLM ediciones. España, 1994.]

Sábado, 11 de Julho de 2009

face to face


- É homem?
- Mulher... Quer dizer... podia passar por homem.
- É homem ou é mulher, afinal?
- Mulher, vai. Mulher.
plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC!
- É ... gorda?
- Não. É piorzinha que gorda. Sabe aquelas que têm toda a neura de gorda, mas não é gorda.
- Mas... é magra? Magra de tomar boleta? É magra ou é gorda, pô?!
- Não é gorda. Pronto.
Plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC! plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC!
- Loira?
- Depende. Tingida. Agora tá loira. Mas a qualquer momento pode não estar.
- Ah, assim fica difícil. Loira ou não loira.
- Loira, loira. Pronto!
Plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC! plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC!
- Alta?
- Depois das dez, sempre.
Plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC! plac plac plac plac plac...plaplaplac plaC!
- É a Alice P.?
- hummmm...non! Non cest la Aleee C. P.
- Usa chapéu?
- Usa! Usa! HahahahAaAa!
Plac plac plac plac plac...plaplaplac
- Lacinho?
- Ai, você já sabe quem é... Usa lacinho, sim!
plaplaplac plaC!
- É a senhora B.
- Merda! É a senhora B. Vamos outra?!
- Vamos. Mas apostando ok?
- All k!

fila no 3

- É aqui?
- Deve ser... Vê aí o endereço.
- Estranho. Falar verdade, achei meio espelunca. Você não?
- Ah, vamos ver melhor. Lá dentro de repente é diferente. Aqui só tem uma placa. Ó, tem uma porta pesada ali. Empurra aí. Tá aberta. Vamentrar.
- Corredorzão. Esquisito. Tudo vazio.
- Não. Tem dois caras ali, no final do corredor.
- É. Mais esquisito ainda.
- Opa! Acho que ali é o final da fila, meu.
- Nossa. Pior que é mesmo, cara.
- Será que tem gente mais fudida que nós. Foda, hein?
- Ah, vamos lá. Encarar. Ver qual é.
- Porra, meu; outro corredor maior. E só de fila.
- Sossega cara. Você queria o quê? Achou que ia ser fácil. Chegar e ser atendido?!
- Ué, mas na hora de negociar o rim o cara fez mil promessas.
- Ah, meu! Rim todo mundo tem, né? Agora gente sem coração é que é geral.
- Pode crer! Ô lôco, meu!

fila no. 2

- Moça, sua senha.
- É só um número... Você devia falar "seu número"; não "sua senha". Senha é uma coisa mais importante. Por exemplo, "senha de banco". Um lugar com entrada restrita pede senha. Tudo se gasta. A palavra "senha" está desgastada. Não é uma coisa boa.
- 26.
- Está em qual, agora.
- É só olhar no visor. 12, está no 12!
- Por que não "visar no visor", em vez de "olhar no visor"?
- Próximo, por favor. O senhor pode chegar aqui para pegar a senha?! É necessário senha. Senhor! Por favor!
- Mas se ele é um senhor não precisa de senha. Ele já é um "senhor".
- A senha dele é preferencial.
- Ele está mais próximo da morte. Não pode mais esperar. Por isso a senha de senhoras e senhores são senhas preferenciais. Vão morrer logo, não podem esperar tanto. Aí eles jogam essa palavra "preferencial". Onde fica o banheiro?
- Qual é mesmo sua senha, por favor?
- 26.
- O banheiro fica depois desse corredor, à esquerda, terceira porta. Mas procure não demorar muito pois se na terceira chamada não chegar ninguém no guichê, será preciso tirar outra senha.
- Segura pra mim, então.
- Não posso, desculpa. Próximo.
- Então anota aí o numero do meu celular quando estiver perto da minha senha, você me chama.
- ... Ãh!